Equilibrium (2002)

Equilibrium (Equilibrium) é um filme norte-americano, do ano de 2002, dos gêneros ficção científica e ação, dirigido por Kurt Wimmer. Christian Bale possui o papel principal neste filme e é auxiliado por Taye Diggs, Angus Macfadyen, Sean Pertwee, Emily Watson, David Hemmings e Sean Bean.

Enredo de Equilibrium

A história se passa em um futuro distópico, após uma terceira, e destruidora, guerra mundial. A sociedade é controlada por um regime totalitário, que obriga a população a tomar uma droga chamada Prozium que anestesia emoções, prevenindo tensões sociais. John Preston, o protagonista, é um membro da instituição que mantém a ordem e para de tomar o remédio.

Nos primeiros anos do século XXI aconteceu a 3ª Guerra Mundial. Aqueles que sobreviveram sabiam que a humanidade jamais poderia sobreviver a uma 4ª Guerra Mundial e que a natureza volátil dos humanos não podia mais ser exposta. Então uma ramificação da lei foi criada, o Clero Grammaton, cuja única tarefa é procurar e erradicar a real fonte de crueldade entre os humanos: a capacidade de sentir, pois há a crença de que as emoções foram culpadas pelos fracassos das sociedades do passado.

Análise do filme Equilibrium

O filme Equilibrium (2002), do diretor Kurt Wimmer, não foi sucesso nem de público nem de crítica na ocasião de seu lançamento – apesar de desde então e cada vez mais, ter obtido reconhecimento como uma obra de qualidade, sendo considerado desde o início dessa década como um filme cult.

O mal compreendido Equilibrium, talvez o maior erro da época tenha sido uma tentativa da produtora de compará-lo a Matrix (1999) dos irmãos Wachowski, o maior sucesso sci-fi de toda uma geração, o que absolutamente não faz sentido, além de ser altamente ingrato com o longa de Wimmer, muito menos “fácil” de se assimilar – e olha que Matrix já não é uma obra superficial, tendo muito mais camadas que o costumeiro da produção mainstream de Hollywood.

Equilibrium mostra um futuro situado após uma eventual Terceira Guerra Mundial. A sociedade vive sob um regime totalitário que, no entanto, aboliu a maior parte dos crimes e infrações do cidadão comum, restando de criminosos apenas os “rebeldes” que são contrários ao sistema.

A saída encontrada pela sociedade para o fim dos “problemas” da raça humana – que eventualmente nos levam às guerras e conflitos – foi a erradicação da capacidade do ser humano de sentir emoções, o que deixou a civilização mais fria, analítica e racional no dia a dia.

A premissa não muito inovadora, a equivocada comparação com Matrix (que chegou a estampar o cartaz do longa com a frase “esqueça Matrix”) e o início do filme que culmina, logo nos primeiros minutos com uma cena de luta impossível, onde o protagonista vivido por Christian Bale enfrenta vários adversários em um espaço confinado sem ser atingido e com uma arma que parece ter munição infinita, dão a falsa impressão de que a obra é mais um clichê de ficção distópica com baixo orçamento e pouca verossimilhança e má qualidade.

Para os que continuaram a assistir o filme, tudo passa a fazer sentido depois – inclusive a munição “infinita” e as lutas “impossíveis” – e a qualidade do longa sobe a cada reviravolta sofrida pelo protagonista. A obra não é inovadora, mas isso não pode ser visto como um problema, e como um todo o filme tem muito mérito.

John Preston

O protagonista do filme, John Preston apesar de se inspirar visualmente no Neo de Matrix (outro motivo das comparações), é muito diferente daquele, pois é muito mais inseguro, falho e “humano”, ainda que no começo esteja anestesiado pelo Prozium e agindo conforme sua profissão preconiza, já que ele é um dos Sacerdotes do Grammaton.

Após deixar de tomar a droga por um dia, Preston sente o gosto do sentimento, que sequer lembrava existir. A sensação de reviver as emoções, somada à angústia da culpa por um acontecimento passado, se mostra inebriante e forte demais para ser relevada, e o Sacerdote resolve infringir a lei e deixar de tomar suas doses de Prozium.

Assim, dia a dia, Preston redescobre sua humanidade, sua admiração pelos detalhes da vida, dos momentos únicos que permeiam a existência, e começa a se dar conta de que lei e ordem podem não ser argumentos fortes o suficiente para amputar do homem sua capacidade de sentir emoções.

A cena em que Preston “acorda” para seus sentimentos, onde a metáfora de sua casca de dureza e racionalidade é retirada tal qual uma película de insulfilm é retirada de uma vidraça, é sensacional.

A partir de então, Preston passa a tentar combater o sistema da qual faz parte, para ajudar a Resistência a derrubar o Pai e “libertar” Libria.

O Pai de Libria

Apesar de parecer a muitos um disparate achar que a sociedade aceitaria se submeter a um controle como o demonstrado na obra, tal idéia – se passada por um crivo de analogia – se mostra bastante plausível. Não por acaso o próprio filme mostra uma imagem de Hitler para que percebamos que, assim como os alemães “pediram” pelo estado totalitário e rígido que Adolf Hitler prometia em suas campanhas, quando ainda era um político promissor no partido nacionalista germânico, outros povos podem perfeitamente acatar limitações e restrições às suas liberdades em nome de um “bem maior”.

A desordem e a desigualdade social ao longo da história foi constituída pelo homem devido a necessidade de se sobrepor em relação aos outros homens. Thomas Hobbes, defendia a criação de um Estado Artificial para defender os indivíduos de suas próprias barbaridades e vicissitudes (“o homem é o lobo do homem”). Diria ainda Hobbes, relacionando com o filme, que o conflito e a guerra são inerentes à natureza humana. A emoção, os instintos, os sentimentos, os prazeres levam a humanidade a uma busca desenfreada pelo hedonismo e por sensações terrenas transbordantes. Nada mais “normal”, portanto, que se justifique a supressão das emoções com a alegação de que assim se estaria atingindo um nível de segurança mais firme e seguro na sociedade.

O filme enfatiza justamente a necessidade de neutralização dos sentimentos humanos, pós-catástrofes provocadas pela disputa, ganância, competitividade, egoísmo exacerbado, consumismo padronizado. No entanto, sentir é uma capacidade que nos torna expressivos, inventivos, diferentes, capazes. Se por um lado, a disciplina e a obediência são essenciais para o controle da ordem estabelecida e por tanto da erradicação de várias ações destrutivas que estão cada vez mais freqüentes na nossa realidade, por outro superficializa-se as relações pessoais.

O pensamento dialético é aquele em que raciocinamos de uma maneira mais lógica, procurando resultados exatos, tentando não ter interferência da emoção e dando mais voz a razão. É um pensamento consciente que utilizamos para alcançar nossos objetivos de uma maneira mais óbvia e lógica.

A sociedade retratada por Libria nos mostra como seria um “mundo dialético”, portanto. Um mundo onde todos seremos iguais no pensar, no andar, no falar, no vestir, etc. Todos frios, racionais, lógicos e coerentes. Não há individualidades, sentimento, emoção, afeto.

Este site foi criado por Luís Eduardo Alló (fundador e editor), bacharel em Direito, mineiro de Muriaé – MG e que adora trabalhar na web.


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