Matrix (1999)

Matrix é uma produção cinematográfica estadunidense e australiana de 1999, dos gêneros ação e ficção científica, dirigido pelas irmãs Wachowski e protagonizado por Keanu Reeves e Laurence Fishburne. Lançado em março de 1999, Matrix custou 65 milhões de dólares e rendeu mais de 456 milhões.

Matrix foi escrito como uma trilogia (Matrix, Matrix Reloaded, Matrix Revolutions). Os fãs do estilo cyberpunk consideram a trilogia inteira uma obra prima. Matrix é uma obra de arte multimídia, a história inteira do universo Matrix está presente nos 3 filmes, em 9 desenhos animados, chamados Animatrix (o primeiro desenho conta uma história que se passa entre o primeiro e o segundo filme da trilogia), em histórias em quadrinhos (lançadas apenas nos Estados Unidos) e no jogo Enter the Matrix (o qual completa o enredo do filme Matrix Reloaded).

Enredo de Matrix

Thomas A. Anderson vive uma vida dupla. De dia, é um programador para uma companhia de software. De noite é um hacker, invadindo sistemas de computador ilegalmente e roubando informações, sob o apelido de Neo. Durante a sua vida como pirata informático, Neo cruza-se com uma pergunta constante: “O que é a Matrix?”.

Na busca da resposta, dedica-se de forma persistente a encontrar um suposto “terrorista” conhecido apenas como Morpheus. O que Neo não sabe é que o Morpheus o tem observado por um longo período de tempo. Quando este finalmente o contacta, Neo é perseguido e capturado por sinistros agentes, que, presume, pertencem a alguma organização do governo e descobriram as suas atividades ilegais. Perante a recusa em cooperar, estes implantam um software eletrônico (backdoor) no seu corpo para poderem monitorizar os seus atos e deixam-no sair em liberdade.

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Neo é então contactado por Trinity, uma famosa hacker, que o instiga a procurar a verdade sobre a Matrix. Quando Neo aceita encontrar-se com ela, esta remove o backdoor e leva-o até Morpheus. Este recebe-o e dá-lhe uma escolha – manter-se na sua vida cotidiana e no seu mundo, ou saber finalmente o que é a Matrix. Neo aceita a segunda opção e toma um comprimido vermelho. Após entrar em choque, Neo acorda desorientado e alarmado para se encontrar fraco, sem pelos e nu numa cápsula de líquido, com uma série de conectores implantados na sua pele, ligados a cabos. À sua volta vê apenas um número infindável de cápsulas iguais à dele, sob um céu constantemente negro. Uma máquina desliga-o do sistema e evacua-o para um esgoto, onde Morpheus e Trinity, vestidos com outras roupas, o resgatam e conduzem à Nebuchadnezzar, a nave onde operam juntamente com uma equipe de vários membros.

O seu corpo é recuperado dos anos que passou dentro da cápsula. Logo que Neo ganha consciência e capacidade motora, Morpheus conta-lhe finalmente a verdade, revelando que o mundo que ele conhece não existe na realidade: faz apenas parte de uma simulação interativa neural, a que chamam Matrix. Na realidade, a humanidade vive num futuro pós-apocalíptico onde as máquinas, dotadas de Inteligência Artificial aperfeiçoada ao ponto da auto-consciência, entraram em guerra com os humanos quando estes as tentaram destruir, temendo ser ultrapassados por elas. Perante a derrota eminente, a humanidade cobriu o céu de nuvens negras permanentes de forma a bloquear o acesso das máquinas ao Sol, a sua principal fonte de energia. O plano falhou. Derrotados, os seres humanos passaram a ser “cultivados” em enormes campos, dentro de cápsulas semelhantes àquelas em que Neo acordou e passaram a servir como fonte de bioeletricidade para as máquinas, criando a Matrix para poderem controlar as suas consciências. Os poucos humanos que conseguiram se libertar criaram a resistência, que se concentra numa cidade subterrânea onde os humanos ainda podem nascer livres, chamada Zion. Ao início, Neo entra em choque e recusa-se a acreditar nele, mas finalmente percebe que o mundo que conhecia não é real e que não pode voltar atrás, por mais que queira. Morpheus fala então a Neo sobre a profecia de que um dia um humano denominado o Escolhido (the One) iria liderar a resistência e ganhar a guerra contra as máquinas. Ele acredita que Neo é esse homem.

Os humanos libertados da Matrix têm a capacidade de entrar e sair dela quando quiserem, conectando os seus cérebros e percorrendo a simulação. Podem dispôr de todo o tipo de objetos e usá-los na Matrix, tais como roupa, veículos e armas, etc. No dia seguinte, Neo começa sua “formação”, tornando-se especialista em muitas formas de combate, através de vários programas de treino carregados diretamente no seu cérebro. Ele também recebe novas instruções de Morpheus, tentando fazer com que este liberte a sua mente e revelando-lhe que os sinistros agentes que o abordaram são na verdade programas da Matrix que atuam em nome das máquinas. Estes deslocam-se à vontade pela simulação e são virtualmente imbatíveis. Todos os que os tentaram defrontar, morreram. Morpheus adverte Neo que quem morrer dentro da Matrix, morre também no mundo real.

Depois de alguns dias a bordo da Nebuchadnezzar, Neo é ligado pela primeira vez à Matrix para conhecer a Oráculo, que tem o poder de previsão no mundo simulado. A Oráculo diz-lhe que ele não é o escolhido. Ela diz-lhe também que ele tem o “dom”, mas parece estar à espera de alguma coisa, talvez da “sua próxima vida”. A Oráculo porém avisa-o de que um evento virá onde ele terá que escolher entre a sua própria vida ou a de Morpheus, e que um deles vai morrer.

Quando se dirigem ao ponto de regresso ao mundo real, a equipe da Nebuchadnezzar é traída por Cypher, um dos membros da equipe, que fez um acordo com os agentes para lhes entregar Morpheus em troca de ser reconectado à Matrix. Na batalha, este é capturado e detido pelos agentes dentro da Matrix, enquanto que Cypher começa a matar os integrantes da nave um por um. Quando está prestes a matar Neo, desconectando o seu corpo com sua mente ainda na Matrix, é executado pelo piloto da nave, que julgava ter morto. Neo e Trinity sabem que os agentes pretendem usar Morpheus para lhes revelar o acesso aos códigos da mainframes de Zion. A princípio eles decidem tomar o curso de ação mais seguro, desconectando-o e causando a sua morte. Neo percebe então que este era o evento de que a Oráculo falara e decide salvar Morpheus. Com Trinity ao seu lado, Neo combate a pesada força militar estacionada no edifício. Ambos chegam ao telhado do prédio, onde são confrontados pelo Agente Jones. Neo descarrega dois carregadores de balas sobre Jones apenas para vê-lo desviar-se das mesmas sem esforço. Quando o agente abre fogo sobre ele, Neo revela-se capaz de se esquivar das balas de uma forma que só os agentes são capazes de fazer. Aproveitando a distração do agente com a surpresa de ver um humano ser tão rápido quanto eles, Trinity dispara à queima-roupa na cabeça de Jones, conseguindo assim eliminá-lo temporariamente. Em seguida, usando uma metralhadora montada num helicóptero, Neo e Trinity conseguem resgatar Morpheus. Após conseguir aquilo que parecia impossível, Morpheus acredita que Neo é, na verdade o Escolhido, questionando Trinity, perguntando-lhe: “acreditas agora?”. Quando Neo lhe tenta dizer o que a Oráculo lhe contou, Morpheus diz-lhe que esta lhe contou exatamente o que ele precisava ouvir.

Atingindo a linha de conexão, Morpheus e Trinity regressam ao mundo real, mas Neo é travado pelo Agente Smith. Em vez de fugir, Neo decide lutar com ele. Neo combate Smith, demonstrando ter quase as mesmas capacidades do Agente, algo considerado impossível para seres humanos. No final, Neo deixa-o para trás, atirando-o para a frente de um comboio. Smith assume o corpo do condutor e sai da estação. Percebendo que se tratava de uma luta que não poderia vencer, Neo foge, enquanto é perseguido por Smith e mais dois agentes. Neo consegue despistá-los e atingir a linha de conexão, só que acaba emboscado e é fatalmente atingido pelo Agente Smith. Trinity, vendo o corpo de Neo morrer com seu espírito ainda no Matrix, diz que a Oráculo lhe contou que ela se apaixonaria pelo Escolhido e que ela o ama, por isso ele não pode morrer. Neo ressuscita e os agentes, atordoados, tentam atirar novamente. Ele levanta a sua mão e as balas param, suspensas no meio do ar caindo em seguida no chão. Neo olha à sua volta e percebe que ele consegue ver o código da Matrix em tudo o que o rodeia. Acreditando mais plenamente no seus recém descobertos poderes, faz frente aos golpes de Smith antes de mergulhar no próprio corpo do agente para destruí-lo por dentro.

A última cena vê Neo deixando uma mensagem às máquinas via telefone, advertendo-as que lhes vai fazer frente, libertando tantas mentes humanas quanto for possível.

A filosofia pós-moderna

Ninguém sabe ao certo quando a pós-modernidade começou. Alguns afirmam que sua origem foi no início do século XX, outros dizem que foi na metade do século XX e outros asseguram que foi no início da década de 1980. Diversos analistas culturais afirmam que, apesar de não sabermos quando esta “Era” começou, estamos de fato vivendo em uma sociedade pós-moderna. Mas, o que é pós-modernidade?

O termo “pós-modernidade” é de ampla definição e foi criado pelo historiador britânico Arnold Joseph Toynbee (1889-1975) na década de 1940, quando escrevia os seus doze volumes intitulados Um Estudo da História. Toynbee era um filósofo católico, porém influenciado pelo hinduísmo.

Segundo Toynbee, a pós-modernidade se caracteriza especialmente pela decadência da cultura ocidental, do cristianismo e de tudo o que é absoluto. Resumindo, no pós-modernismo, morre o cristianismo e sua única verdade absoluta (Jesus Cristo) e tudo passa a ser relativo.

Alguns filósofos franceses também debruçaram-se sobre o tema da pós-modernidade, entre eles, Jean-François Lyotard, Michel Maffesoli e Jean Baudrillard (cujo livro Simulacro e Simulação aparece rapidamente no filme Matrix).

Baudrillard afirma que nos tempos pós-modernos ocorrerá o “domínio do simulacro” onde será possível a substituição do mundo real por uma versão simulada tão eficaz quanto a realidade. Em outras palavras, a simulação cria um perfeito simulacro da realidade, como um sonho tão vívido que, ao “acordarmos”, não conseguimos distinguir entre ilusão e verdade.

A trilogia Matrix

A trilogia Matrix está em plena sintonia com a filosofia pós-moderna, com o hinduísmo, com o budismo, entre outras visões de mundo.

A série Matrix é uma fantástica aventura cibernética, recheada de superefeitos especiais, onde a Terra foi totalmente dominada por máquinas dotadas de inteligência artificial, que passaram a ter controle sobre a raça humana. Os homens e todo o nosso mundo não passam de um software, um programa de computador, uma mera ilusão. Resumindo, nessa trilogia, nosso complexo mundo físico, com todos os seus ecossistemas, e nosso sofisticado corpo humano não passam de uma realidade virtual, como um joguinho de computador, semelhante ao The Sims, Sim City ou Age of Empires.

Matrix também tem uma forte analogia com o cristianismo. Existe uma trindade benigna no filme, composta por Trinity (“Trindade”, em inglês), Morfeu (“deus dos sonhos” na mitologia grega. Ele faz o papel de João Batista ao preparar o caminho para o “escolhido” e o de Deus Pai ao assumir a figura paterna de todos que já foram libertos da ilusão) e Neo (do grego “novo”. Esse é o “escolhido” e um substituto para Jesus Cristo).

Na primeira aparição de Neo ficamos logo sabendo qual será sua função na trilogia. Choi, um cliente de Neo, chega ao quarto de Neo com alguns amigos para pagar e receber uma encomenda. Ele lhe agradece de uma maneira que passa a ser quase uma profecia sobre o futuro de Neo: “Aleluia. Você é meu Salvador, cara. O meu Jesus Cristo pessoal”.

No primeiro filme da série, há mais de dez referências a Neo como o “eleito” ou o “escolhido”. No primeiro episódio, Neo morreu, ressuscitou e ascendeu aos céus (isso faz você se lembrar de quem?).

Em Matrix Reloaded, o segundo episódio da série, há uma cena rápida de mais ou menos vinte segundos, quando Neo sai de um elevador na “Cidade de Zion” (“Sião”, em inglês) e é abordado por pessoas de várias faixas etárias, muitas com trajes orientais e trazendo oferendas nas mãos. Trinity lhe diz: “Eles precisam de você”. Duas mães se aproximam de Neo fazendo alguns pedidos especiais sobre seus filhos. Neo é querido, respeitável e um solucionador de problemas.

Neo move-se com uma rapidez incrível (mais rápido do que o Super-Homem ou qualquer projétil), salva pessoas prestes a serem mortas, tem uma força incomum, tem capacidade para mover objetos sem tocá-los e, a exemplo de Jesus Cristo, também ressuscitou uma pessoa amada. Pronto: “Neo é o nosso melhor amigo e o nosso salvador”, essa é uma das mensagens sutis que a trilogia passa nas suas entrelinhas.

Porém, a principal mensagem da trilogia Matrix é um novo conceito da “verdade”. Nessas películas cinematográficas, a “verdade” é que este mundo é apenas uma matrix ilusória. Observe um diálogo entre Morfeu e Neo e veja o que é a “verdade”:

Neo: O que é Matrix?

Morfeu: Você quer saber o que é Matrix? Matrix está em toda parte […] é o mundo que acredita ser real para que não perceba a verdade.

Neo: Que verdade?

Morfeu: Que você é um escravo, Neo. Como todo mundo, você nasceu em cativeiro. Nasceu em uma prisão que não pode ver, cheirar ou tocar. Uma prisão para a sua mente.

Quando Neo vai consultar o oráculo, ele encontra um menino em trajes budistas que consegue entortar colheres sem tocá-las. Observe no diálogo o que é a “verdade”:

Menino: Não tente dobrar a colher. Não vai ser possível. Em vez disso, tente apenas perceber a verdade.

Neo: Que verdade?

Menino: Que a colher não existe.

Neo: A colher não existe?

Menino: Então verá que não é a colher que se dobra, apenas você.

Para a série Matrix, a “verdade” é que tudo é niilismo e ficamos sem saber quem é o Criador e quem é a criatura.

Uma cena muito marcante no filme Matrix é no final, quando um dos agentes está falando com Morfeu. Ele diz:

“Eu gostaria de fazer uma revelação que eu tive durante o meu tempo aqui, veio a mim quando eu tentei classificar sua espécie e eu percebi que não são mamíferos. Todos os mamíferos do planeta, instintivamente, desenvolvem um equilíbrio com o meio ambiente. Mas os humanos não, vocês se movem para uma área e se multiplicam, se multiplicam até que todos os recursos naturais sejam consumidos. A única maneira de sobreviver é indo para uma outra área. Há um outro organismo neste planeta que segue o mesmo padrão: Os seres humanos são uma doença, um câncer deste planeta, um vírus. Vocês são uma praga. E nós somos a cura.” – Agente Smith

Os agentes na Matrix

De acordo com Morpheus, tutor do protagonista Neo, Smith é um Agente, uma manifestação da inteligência artificial no mundo da Matrix, com poderes extraordinários para manipular o seu ambiente (como força sobre-humana, imunidade, poder de desafiar a gravidade e rapidez para se desviar de balas). Entretanto, os Agentes possuem limitação, pois seus comportamentos são “baseados em regras do mundo em que vivem”. Por exemplo, eles não podem voar, andar nas paredes, ou executar ações além das suas funções programadas. Como todos os outros Agentes, ele foi originalmente programado para manter ordem dentro do sistema, exterminando programas e humanos que apresentam instabilidade na realidade simulada. Como parte dos poderes para cumprir a tarefa, ele e outros Agentes podem tomar o corpo de qualquer humano que seja parte da Matrix, transformando-o em uma cópia de si mesmo. Agentes também podem comunicar-se com os outros agentes instantaneamente, através dos fones de ouvido (quando o Agente Smith remove o seu plug do ouvido, ele perde seu link com os outros agentes)

O visual e a forma de Smith e os demais agentes são baseados em uma paranoia da cultura americana, desenvolvida principalmente na década de 1960, quando todos os agentes federais vestiam as mesmas roupas. Os agentes se vestem de ternos esverdeados, com o forro amarelo, e usam óculos preto, normalmente de armação quadrada. Quando Smith aparece em “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolutions”, nota-se que a armação dos olhos torna-se mais arredondada, isto deve à mistura do código dele com o do personagem Neo. Neo e os avatares humanos, usam óculos de armação mais redonda. A ideia por trás deste detalhe, é que a máquina procura formas mais certas e angulares para desenhar os seus avatares, enquanto por contraste os seres humanos procuram as com formas redondas, que se observam no desenho do homem vitruviano de Leonardo Da Vinci. A base na natureza humana obedece à formas mais redondas e proporcionais.

Todos os agentes são homens, brancos, gerando contraste contra a população de Zion, constituída de diversas culturas. A ideia de mostrar os Agentes como brancos/homens demonstra o conceito da Matrix de implantar nas pessoas preconceitos e referências para denotar medo e opressão. Pode-se ser observado que os dentes dos Agentes são todos brancos e alinhados, trazendo a evidência de que quando foi construída a interface dos agentes, pensou-se em seres humanos com traços perfeitos.

A voz dos Agentes é pausada e modulada, com se houvesse um grande consumo de poder de processamento para gerar a fala, alinhado com entonação de pontos e frases. De acordo com o make up, o ator Hugo Weaving se inspirou em narrações das rádios americanas da década de 1950.

O Agente Smith é muito mais individualista do que os outros agentes, desde o início. Embora outros agentes raramente tenham agido sem consultar uns aos outros através de seus fones de ouvido, e a tal ponto que muitas vezes eles terminam frases uns dos outros. Mas Smith não é visto geralmente recebendo ordens, mas usando seu fone de ouvido para reunir informações para seus próprios fins. Smith parece também ser o líder dos outros agentes no primeiro filme, como ele parece ter autoridade para lançar ataques Sentinelas no mundo real. Como os outros agentes, Smith geralmente aborda problemas através de um ponto de vista pragmático, mas se necessário, também age com a força bruta e a raiva aparente.

Os fones de ouvido representam alguma forma de mecanismo de controle das máquinas, as Sentinelas. É notável que quando está interrogando Morpheus, ele envia os outros agentes para a outra sala, em seguida, remove o fone de ouvido, libertando-se do link de Matrix e das máquinas antes de expressar sua opinião sobre a humanidade.

Logo depois, o Agente Smith acusa os habitantes de Matrix do cheiro repugnante (se é que existe tal coisa como cheiro). Smith tem um ódio aberto dos seres humanos e de suas fraquezas da carne. Ele compara a humanidade como um vírus, um organismo de doença que se reproduz descontroladamente e, eventualmente, destrói seu meio ambiente. Ele diz que a inteligência das maquinas mantêm eles em xeque. Ironicamente, Smith torna-se eventualmente um vírus de computador, multiplicando-se até que ele tenha superado a Matrix inteira.

Ao mesmo tempo, Smith desenvolve uma animosidade para com a própria Matrix, sentindo que ele é muito mais que um prisioneiro, diferenciando-se dos humanos, ele é encarregado de controlar a Matrix. Mais tarde, ele desenvolve um desejo imenso e cada vez mais aberto para a destruição de ambos os homens e máquinas.

Os irmãos Wachowski têm comentado que a humanização gradual de Smith ao longo do filme Matrix é um processo que destina-se ao espelho e equilíbrio de poder próprio do Neo e a compreensão do Mundo das Máquinas.

O Cristianismo

Cristo é real (Colossenses 2.17). Não existe faz-de-conta e nem ilusão em Cristo Jesus. Digo mais: a realidade de Cristo é dura, cruel e exigiu derramamento de sangue na cruz para a remissão dos nossos pecados.

O evangelista João escreveu: Jesus “estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens” (João 1.2-4).

Analise bem o que está escrito nessa passagem. Jesus não é apenas o Criador de todas as coisas juntamente com Deus Pai, mas especialmente Jesus é a própria Vida. Pense bem: sem a vida, só resta a morte. O período compreendido entre o nascimento e a morte, que chamamos de existência, pertence ao Senhor Jesus Cristo. O fato de vivermos, o prazer de termos sinais vitais, é fruto de Jesus. A existência só existe porque Jesus existiu primeiro. Afirmar que Jesus é uma razão para viver é minimizar o Seu senhorio, é pouco. Verdadeiramente, Jesus é a razão para viver. Jesus é o único “show da vida”!

Calendários

Analisemos outra passagem bíblica sobre a soberania e o senhorio de Jesus Cristo: “Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. E ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Colossenses 1.15-20).

Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, está afirmando sobre Jesus Cristo: todas as coisas subsistem por causa de Cristo. Todo o mundo visível e o invisível – ambas as dimensões (a física e a espiritual) existem por causa de Jesus Cristo. Os hadrons e quarks subsistem pelo poder dele. Sem Jesus, todas as coisas cairiam aos pedaços. A vida (o nosso próximo batimento cardíaco e a nossa próxima respiração) está nas mãos do Senhor Jesus Cristo. Jesus é o máximo e detém um poder inigualável. Jesus é o verdadeiro “espetáculo do planeta Terra”!

Para o cristianismo leitores, sem Jesus, restam a filosofia pós-moderna, o hinduísmo, o budismo e a trilogia Matrix para nos “consolar” e esse consolo é baseado em uma ilusão.

Como entender a Matrix

Quando o indivíduo não conhece o original, o real, o genuíno, o verdadeiro, ele acredita no falso como se fosse o verdadeiro.

Imagine as pessoas que tiveram a oportunidade de conhecer pessoalmente a Michelângelo, viram-no pintando e esculpindo obras maravilhosas que ficariam para a posteridade. Ou, até mesmo, pense naqueles que não tiveram a oportunidade de vê-lo pessoalmente, mas estudaram com afinco seus feitos. Agora, suponha que surja alguém lá no Nepal afirmando que possui a verdadeira escultura de “Davi”, de Michelângelo, e que aquela exposta no Museu da Galleria dell’Accademia, em Florença, na Itália, é falsa e não passa de um simulacro.

O que você acha que aconteceria? As pessoas que conhecem bem a escultura verdadeira dificilmente acreditariam na história do “Davi” do Nepal. Pois, uma vez que o indivíduo conhece o real, ele facilmente reconhece que o outro é o falso e o infiel. Porém, se alguém não conhece a única e verdadeira escultura, facilmente será enganado e iludido pela falsa “verdade”.

Jesus é assim, a única verdade! Ele disse: “Eu sou a verdade” (João 14.6) e “a verdade vós libertá” (João 8.32).

A trilogia Matrix e a filosofia pós-moderna, além de fazerem parceria com religiões orientais, são também como Pilatos. O registro em João 18.37-38, quando Jesus dialogava com Pilatos, diz: “Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”. Nesse exato momento, Jesus foi interrompido por Pilatos, que lhe fez uma pergunta que era mais uma tentativa de alfinetá-lo. Nela, Pilatos torna relativa a verdade exclusiva de Jesus com o seu célebre questionamento: “Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade?”. Na seqüência, ele deu as costas a Jesus e se dirigiu à multidão. Pilatos passou batido pela vida, sem reconhecer Jesus como a única Verdade.

À medida que afrouxamos a doutrina e aceitamos outras verdades além de Jesus Cristo, acabamos caindo no engodo de vãs filosofias humanas. Ficamos à deriva, passando a aceitar e discutir “a minha verdade” e “a sua verdade”, e não mais a única Verdade, que é Jesus Cristo. Quando o homem não conhece Jesus, passa a criar outras supostas verdades filosóficas para se adequem aos seus pontos de vista.

Dar as costas para a Verdade e ouvir o clamor das massas, dos filósofos e dos formadores de opinião da época, é o que faziam os crentes da pós-modernista cidade de Corinto. Foi em Corinto que Paulo dissertou sobre a excelência da sabedoria divina sobre a sabedoria humana. A recomendação paulina aos coríntios continua vívida para a nossa atual cultura pós-moderna.

“O que é Matrix? Essa palavra é latina. Deriva de mater, que quer dizer ‘mãe’. Em latim, matrix é o órgão das fêmeas dos mamíferos onde o embrião e o feto se desenvolvem; é o útero. Na linguagem técnica, a Matrix é o molde para fundição de uma peça; o circuito de codificadores e decodificadores das cores primárias (para produzir imagens na televisão) e dos sons (nos discos, fitas e filmes); e, na informática, é a rede de guias de entradas e saídas de elementos lógicos dispostos em determinadas intersecções.

No filme, a Matrix tem todos esses sentidos: ela é, ao mesmo tempo, um útero universal onde estão todos os seres humanos cuja vida real é ‘uterina’ e cuja vida imaginária é forjada pelos circuitos de codificadores e decodificadores de cores e sons e pelas redes de entrada e saída de sinais lógicos. No filme Matrix, a Matrix nada mais é do que a própria Matrix do mundo real. No filme, Morfeu dá a possibilidade a Neo de escolher entre tomar a pílula azul ou a vermelha. Tomando a azul, Neo voltará à sua ilusória e superficial vida; se optar pela pílula vermelha, conhecerá a verdade que está por detrás do mundo que julga ser real. Neo arrisca e opta pela pílula vermelha, conhecendo, finalmente, a complexa verdade por detrás do seu mundo de aparências.

Este site foi criado por Luís Eduardo Alló (fundador e editor), bacharel em Direito, mineiro de Muriaé – MG e que adora trabalhar na web.


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